Friday, 5 November 2021

Pessoas que formam o 1% mais rico poluem 30 vezes mais do que o necessário para limitar aquecimento da Terra


GLASGOW — As emissões de CO2 do 1% mais rico da população global estão no caminho de serem 30 vezes maiores, em 2030, do que o nível compatível com a meta de limitar o aquecimento em 1,5°C. Esta é uma das mensagens principais do estudo “Desigualdade de Carbono em 2030” da Oxfam.

De acordo com as metas climáticas de Paris, cada pessoa na Terra precisa reduzir suas emissões de CO2 a uma média de 2,3 toneladas até 2030, cerca da metade dos volumes de hoje.

Os 1% mais ricos — que somados são uma população menor que a Alemanha — estão em rota de emitir 70 toneladas de CO2 per capita por ano se continuarem com seu estilo de vida e consumo atuais, de acordo com o estudo. No total, representarão 16% do total de emissões até 2030. O percentual era de 13% em 1990. Enquanto isso, os 50% mais pobres estarão emitindo, em média, uma tonelada de CO2 por ano.

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No grupo dos 1% mais ricos, em 2030, os chineses serão responsáveis por quase 25% das emissões. Os americanos terão quase 20% de participação e os indianos, 11%.

Na visão da Oxfam, os líderes deveriam ser muito mais ambiciosos e cortar ainda mais emissões nesta década. A conta, segundo a organização, deveria ser dividida proporcionalmente às contribuições dos países mais ricos para o problema.

“Países e pessoas mais ricas devem cortar mais emissões. Os mais ricos têm potencial para acelerar esse processo, adotando estilos de vida mais sustentáveis e também dirigindo sua influência política e investimentos para uma economia de baixo carbono”, diz a nota à imprensa.

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O estudo foi encomendado pela Oxfam e tem base em pesquisas realizadas pelo Instituto de Política Ambiental Europeia (IEEP) e pelo Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI). Estima como as promessas dos governos afetarão as pegadas de carbono das pessoas mais ricas e mais pobres em todo o mundo.

O estudo da Oxfam colocou a população global e todos os grupos de renda como se fossem um único país. Pelos dados, em 2030 a metade mais pobre da população global vai continuar emitindo bem menos do que o nível proposto de 1,5°C em 2030. Os 10% mais ricos deverão emitir 9 vezes mais.

Quem está no grupo do 1% teria que reduzir suas emissões em cerca de 97% em relação aos níveis atuais, para atingir o nível proposto.

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— A crise climática afeta a todos, mas os impactos não afetam a todos de forma igual. É um sintoma de desigualdade e injustiças crescentes — diz Nafkote Dabi, responsável pela área de política climática da Oxfam. —  Já sabemos que os países mais industrializados mais emissões do que o resto do mundo, tanto as históricas quanto atuais. Mas o que não é sabido é que uma pequena elite, das pessoas mais ricas do mundo, estão causando a crise climática e a menos que esta desigualdade seja resolvida, eles terão passe livre para continuar emitindo na próxima década, enquanto o mundo tem que cortar as emissões pela metade.

O estudo indica que o Acordo de Paris está tendo algum impacto porque 40% da população está na rota para cortes de 9% per capita de emissões, necessários até 2030. Esse grupo é formado principalmente pelos cidadãos de renda média de países como China e África do Sul, que tiveram um aumento maior nas taxas de emissões per capita entre 1990 e 2015.

Considerando as emissões totais globais, em vez das emissões per capita, o 1% mais rico do mundo — menos pessoas que a população da Alemanha – deve ser responsável por 16% do total de emissões em 2030, acima dos 13% de 1990 e 15% de 2015.

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As emissões totais dos 10% mais ricos devem, sozinhas, exceder o nível de 1,5°C proposto para 2030, independentemente do que os outros 90% fizerem.

— Uma pequena elite parece ter um passe livre para poluir — diz Nafkote Dabi, responsável pela área de política climática da Oxfam. — Suas emissões exageradas estão alimentando a crise climática em todo o mundo e colocando em risco a meta internacional de limitar o aquecimento.

“As emissões dos 10% mais ricos do mundo podem nos colocar acima da meta estabelecida para 2030. Isso terá resultados catastróficos para as pessoas em situação de maior vulnerabilidade no mundo, que já enfrentam tempestades, fome e destruição”, diz a nota da Oxfam.

A jornalista viajou a Glasgow a convite do Instituto Arapyaú



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Postado em 2021-11-05 14:13:23

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