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Monday, 1 November 2021
Conheça Telosa, a cidade ‘verde’ que será erguida no meio do deserto ao custo de US$ 400 bilhões
RIO — Que tal uma cidade que reúna a limpeza de Tóquio, a diversidade de Nova York e os serviços sociais de Estocolmo, onde viveriam cinco milhões de habitantes. O projeto, idealizado pelo bilionário Marc Lore, pode sair do papel a qualquer momento.
Até um arquiteto mundialmente famoso para projetá-la já foi contratado, mas, agora, Lore só precisa achar um local e conseguir um financiamento de pelo menos US$ 400 bilhões para construí-la.
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Segundo reportagem da CNN, o ex-executivo do Walmart revelou planos para Telosa, uma metrópole sustentável que ele espera criar, do zero, no deserto americano. De acordo com o site oficial do projeto, um local ideal para a construção ainda não foi encontrado: Nevada, Utah, Idaho, Arizona, Texas e a região dos Apalaches são fortes candidatos.
Ondas atingem um paredão em frente a edifícios em Taizhou, província de Zhejiang, leste da China. Os mesmos oceanos que nutriram a evolução humana estão prontos para desencadear a miséria em escala global alerta um projeto de relatório da ONU Foto: – / AFPAlimentadas pelo rio Zambezi, as Victoria Falls (Cataratas de Vitória), na fronteira entre Zâmbia e Zimbábue, no Sul da África, enfrentaram, em 2019, a pior seca já registrada na região em um século. A paisagem, antes marcada pela queda d’água de tirar o fôlego, se tranfromou num grande abismo seco Foto: STAFF / REUTERSIceberg perto da ilha de Kulusuk, na costa sudeste da Groenlândia. Aquecimento global causado pelas atividades humanas terá consequências dramáticas para os oceanos e a criosfera, que inclui gelo marinho, geleiras, calotas polares e permafrost (tipo de solo encontrado na região do Ártico, constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congelados) Foto: JONATHAN NACKSTRAND / AFPGeleira na região do Everest, no Nepal, no distrito de Solukhumbu, a 140 km a nordeste de Katmandu. As montanhas devem perder uma parcela significativa de sua cobertura de neve, com impactos significativos na agricultura, no turismo e no suprimento de energia Foto: PRAKASH MATHEMA / AFPImagem fotografada por Steffen Olsen, do Centro de Oceano e Gelo do Instituto Meteorolítico Dinamarquês, mostra cães de trenó andando pela água parada no gelo do mar durante uma expedição no noroeste da Groenlândia. Relatório da ONU sobre oceanos e mudanças climáticas destaca efeitos que China, Estados Unidos, União Europeia e Índia enfrentarão Foto: STEFFEN OLSEN / AFPCalotas polares da Antártica e da Groenlândia perderam uma média de 430 bilhões de toneladas por ano desde 2006, tornando-se a principal fonte do aumento do nível do mar
Foto mostra uma a geleira Apusiajik, perto de Kulusuk, na ilha de Sermersooq, na costa sudeste da Groenlândia Foto: JONATHAN NACKSTRAND / AFPDunas ao pé do edifício “Le Signal”, em Soulac-sur-Mer, sudoeste da França, estão sendo lavadas devido às importantes marés do Atlântico Foto: JEAN-PIERRE MULLER / AFPÁreas da Nona Ala, em Nova Orleans, inundadas após os furacões Katrina e Rita. O aumento do nível do mar pode deslocar 280 milhões de pessoas em um cenário otimista de um aumento de 2°C na temperatura global em comparação com a era pré-industrial. Com um aumento previsível da frequência de ciclones, muitas megacidades costeiras, bem como pequenas nações insulares, seriam inundadas todos os anos a partir de 2050 Foto: ROBYN BECK / AFPMoradores usam barcos para atravessar um rio Ganges inundado, à medida que os níveis de água nos rios Ganges e Yamuna aumentam, em Allahabad, Índia. Relatório do IPCC diz que chuvas de monção do verão indiano, uma fonte vital para regar as culturas destinadas a alimentar centenas de milhões de pessoas, enfraqueceram significativamente desde 1950, provavelmente devido ao aquecimento do Oceano Índico Foto: SANJAY KANOJIA / AFPA região do Ártico registrou temperaturas recorde nos últimos anos, com derretimento extenso das camadas de gelo e neve Foto: Evan Vucci / APA elevação dos níveis dos mares também já provocou o desaparecimento de ao menos cinco ilhas nas Ilhas Salomão, país no Oceano Pacífico considerado um dos mais ameaçados pelas alterações climáticas no planeta Foto: REPRODUÇÃOUm urso polar pula entre pedaços de água congelada no Canadá. O fotógrafo Florian Ledoux capturou o momento usando um drone em agosto de 2018. Animais estão enfrentando uma série de ameaças que estão afetando seu futuro status populacional. “Eles estão entre os primeiros refugiados da mudança climática”, escreveu Ledoux Foto: Florian LedouxRio sub-glacial vindo de dentro de uma geleira e caindo num grande buraco Foto: Florian LedouxImagem aérea mostra os corais brancos na Grande Barreira de Corais da Austrália, que está sendo destruída pelo aquecimento e acidificação dos mares Foto: ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies / Terry HughesGelo flutuando na Groenlândia durante o inverno. Local costumava estar completamente congelado durante a estação Foto: Florian LedouxNos EUA, uma comunidade formada por cerca de 600 pessoas no estado do Alasca decidiu mudar de lugar por causa da elevação do nível do mar provocada pelo aquecimento global Foto: AP / Diana HaeckerManguezal com 7.400 hectares morreu de “sede” no Golfo de Carpentária, na Austrália Foto: AFP / NORMAN DUKEPescador mostra caranguejos capturados por ele em manguezal na Bahia, no Brasil. Espécie vem se tornando cada vez mais escassa à medida que o aquecimento global vem causando o aumento da temperatura da água e, consequentemente, a morte de caranguejos e outros animais em sua cadeia alimentar Foto: NACHO DOCE / REUTERSNo Brasil, o atual período de estiagem no Nordeste, considerado o pior em um século, transformou a barragem mais antiga do país num cemitério de tartarugas Foto: AFP / EVARISTO SACarcaças de renas mortas cobertas pelo gelo. Um estudo da Universidade de Oxford mostrou que 80 mil renas morreram na Sibéria por causa das alterações no ciclo das chuvas Foto: Universidade de Oxford
A proposta promete arquitetura ecológica, produção de energia sustentável e um sistema de água supostamente resistente à seca, em uma área de 150 mil acres . E mais: o chamado “projeto de cidade de 15 minutos” permitirá que os moradores acessem seus locais de trabalho, escolas e de entretenimento a menos de um quarto de hora de suas casas.
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O anúncio feito por Lore foi acompanhado por uma série de apresentações digitais pelo Bjarke Ingels Group (BIG), a empresa de arquitetura contratada para dar vida ao sonho utópico do bilionário, diz a CNN.
Ideias sustentáveis
Nas imagens, aparecem edifícios residenciais cobertos de vegetação e residentes imaginários desfrutando de vários espaços abertos. Com os veículos movidos a combustível fóssil proibidos na cidade, os veículos autônomos são retratados viajando pelas ruas iluminadas pelo sol ao lado de scooters e pedestres.
Projeto inclui edifícios residenciais cobertos de vegetação e vários espaços abertos Foto: Reprodução
Um arranha-céu monumental, que recebeu o nome de Equitism Tower, possui armazenamento elevado de água, fazendas aeropônicas e um telhado fotovoltaico de produção de energia que permite “compartilhar e distribuir tudo o que produz”.
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A reportagem da CNN indica que a primeira fase de construção, que acomodaria 50 mil residentes em 1.500 acres, tem um custo estimado de US$ 25 bilhões. A estimativa é que todo o projeto ultrapasse a US$ 400 bilhões, com a cidade atingindo sua população-alvo de 5 milhões em 40 anos.
Os idealizadores do projeto afirmam que o financiamento virá de “várias fontes”, incluindo investidores privados, filantropos, verbas federais e estaduais e subsídios para o desenvolvimento econômico. Os planos são de contactar as autoridades estaduais em breve, com o obejtivo de dar as boas-vindas aos primeiros residentes até 2030.
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Novo modelo urbano
Além de um design inovador, o projeto também promete uma governança transparente e o que chama de “novo modelo de sociedade”, permitindo que os moradores participem do processo de tomada de decisões e orçamento. Em um vídeo promocional, Lore descreveu sua proposta como a “cidade mais aberta, mais justa e mais inclusiva do mundo”.
Estimativa é que todo o projeto ultrapasse a US$ 400 bilhões, com a cidade atingindo sua população-alvo de 5 milhões em 40 anos Foto: Reprodução
“A missão da Telosa é criar um futuro mais justo e sustentável. Essa é a nossa Estrela do Norte”, ressalta o ex-executivo, que fundou a jet.com antes de vendê-lo para o Walmart e ingressar na gigante do varejo como chefe do e-commerce nos EUA em 2016.
Ele deixou a empresa no início deste ano, dizendo que seus planos de aposentadoria incluíam trabalhar em um reality show de TV, aconselhando startups e construindo uma “cidade do futuro”.
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Fundador do BIG, o arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels aparece no video que promove o projeto dizendo que a Telosa “incorpora o cuidado social e ambiental da cultura escandinava e a liberdade e oportunidade de uma cultura mais americana”.
De acordo com a CNN, a Telosa não é a primeira cidade planejada pela empresa de Ingels, que instalou uma pista de esqui no topo de uma usina de Copenhagen, na Dinamarca, e co-projetou a nova sede do Google em Londres e na Califórnia.
Em janeiro de 2020, a montadora japonesa Toyota revelou que havia contratado a BIG para criar um plano-piloto para uma nova cidade de 2.000 habitantes no sopé do Monte Fuji. Embora significativamente menor do que a Telosa, o projeto, apelidado de Woven City, promete testes de veículos autônomos, tecnologia inteligente e vida assistida por robôs.
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