Polarização provoca desespero nos centristas; partidos se lançam no projeto de crescimento por meio do domínio do Congresso
Partidos articulam candidaturas para as eleições de 2022O centro está com trânsito tumultuado. Candidatos lutam por uma aliança entre os setores que estão fora da polarização. Os partidos já contabilizam a dificuldade e se lançam no projeto de crescimento por meio do domínio do Congresso. A disputa maior agora é de eleição de deputados e senadores. A grande peça a ser mexida agora é a filiação do presidente Jair Bolsonaro e seu grupo. Para onde for o presidente, ele leva cerca de 35 deputados e promessa de novas eleições. Garantia de maior partido no Congresso e possibilidade de manter a posição depois das eleições do ano que vem. Três partidos estão neste leilão de ofertas. O PL, do deputado Valdemar da Costa Neto, entrou no jogo, e em vídeo com música clássica de fundo, faz a oferta para o grupo do presidente. O PTB, mesmo com o grande líder preso, o presidente licenciado, Roberto Jefferson, não perde a postura e quer ser o partido escolhido. Mais próximo, o Patriotas, do ministro Ciro Nogueira, se considera um caminho natural, mas em conversas. Até a direção do partido não dá a filiação, ou a volta ao partido, como certa.
O que está mesmo no horizonte é a polarização que provoca desespero nos centristas. O presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula dominam a cena, mas ainda há possibilidade de mudanças. As chances são mínimas, mas os candidatos se agarram a uma mudança de tendência. O presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco, é o cândido da vez e se filia ao PSD de Gilberto Kassab. A força do partido está sendo montada milimetricamente filiando lideranças fortes em todos os Estados. O quadro político já está se formando e o desenho será de muitos candidatos ao Palácio do Planalto, e nos Estados a situação deve se repetir, com a primeira eleição nacional depois do fim das coligações proporcionais.
Os candidatos saem da toca. O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro se aproxima da filiação ao Podemos. Será candidato, e a dúvida é se ele mantém a candidatura à Presidência ou se será candidato ao Senado. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, foge do novo partido União Brasil para se filiar ao PSD e fica bem próximo da candidatura. A disputa no PSDB entre o governador de São Paulo, João Doria, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, formam o chamado grupo de união e o ex-ministro Ciro Gomes mantém a candidatura dele e tenta atrair o grupo que não quer ficar exposto à polarização. Apesar de todas as articulações, não há quem não tenha a certeza de que a polarização não é “coisa de pesquisa”, mas uma realidade lógica e que desafia os políticos tradicionais.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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