Fábio Carille entendeu que o Santos precisava de energia extra para a reta final do Brasileiro e recorreu a métodos pouco comuns. Nesta semana, o treinador levou Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro, para palestrar ao elenco e usar premissas básicas do filme Tropa de Leite para “pilhar” os atletas. Deu certo, ao menos na vitória por 2 a 0 sobre o Fluminense ontem, na Vila Belmiro, onde uma palavra resume bem a atuação santista: intensidade.
Com o resultado, o Santos respira e deixa a zona de rebaixamento do Brasileiro — é o 16º colocado com 32 pontos. Já o Fluminense perde a chance de entrar no G-6 e fica na oitava colocação, com 39.
— Sou um cara que me cobro muito, estou há vários jogos sem marcar. Mas posso ficar até o final do ano sem marcar desde que a equipe vença. Nosso torcedor veio, apoio e a gente não tem do que reclamar. Muita gente fala que o futebol do Marinho acabou, mas o time de 2020 não existe mais. Na técnica as vezes não vai, mas não pode faltar raça e vontade — disse Marinho.
A eletricidade vista na Vila Belmiro, mesmo com a forte chuva que caia em São Paulo durante boa parte da partida, mostrava quem estava mais atento ao jogo. O Santos entrou disposto a guerrear no real sentido da palavra. Não sobraram faltas, pontapés e lances duros, mas isso foi mais consequência da grande intensidade da equipe dentro de campo do que necessariamente violência.
Tanto que houve momentos onde o experiente Diego Tardelli teve que pedir para seus companheiros controlarem o ritmo, tamanha velocidade imposta dentro de campo. Felipe Jonathan e Vinicius Zanocelo, por exemplo, foram dois dos mais pilhados. Poderia ser ruim pois caminhou em uma linha tênue que poderia atrapalhar a estratégia santista, mas virou um modo de transformar a Vila Belmiro em um caldeirão — cerca de seis mil torcedores foram ao estádio.
Marcos Felipe ainda conseguiu fazer milagre na cabeçada de Madson, que parou no travessão. Mas nada pôde fazer quando o lateral-direito entrou livre na área para tocar no canto do goleiro tricolor. Méritos do belo lançamento de Zanocelo e da falha de marcação do lateral-esquerdo Marlon.
— O professor pediu para eu ser um jogador mais avançado nesse meio-campo para termos mais constância no setor. Ele sabe da minha qualidade — avaliou Felipe Jonathan.
Com o caldo entornado, Marcão optou por uma substituição tática que fez efeito por alguns minutos: Luiz Henrique indo para a direita e deslocando Caio Paulista. Vale um parêntese para o camisa 70, que já não justifica a titularidade há boas rodadas. Ter que corresponder ao valor de R$ 8 milhões investido na sua contratação não significa uma titularidade absoluta.
Até que um gol de pelada encerrou a reação do Fluminense na partida. Uma série de tomadas de decisões erradas, desde o recuou de David Braz até ao chutão de Marcos Felipe fez a bola se rebatida e um contra-ataque em incrível superioridade numérica para o Santos — cinco contra dois. Algo tão amador que chega a ser impensável ver a nível profissional.
Na execução, Marinho foi acionado pela direita, avançou em velocidade e serviu Madson, que fazia a ultrapassagem. O lateral cruzou rasteiro para Diego Tardelli chegar de carrinho e mandar para o fundo das redes.
Foi o primeiro gol do atacante em oito jogos com a camisa do Peixe. Foram 307 minutos até balançar a rede em plena Vila Belmiro.
Para completar a série de problemas para o Fluminense, John Kennedy e Nonato receberam o terceiro cartão amarelo e estão suspensos. Não enfrentam o Ceará na próxima rodada. A tendência é que Fred já esteja à disposição para o ataque. O volante reserva estará fora da relação.
Já no Santos, Marinho recebeu o terceiro cartão amarelo após discutir com David Braz na saída de campo. Também está suspenso e não enfrenta o Athletico.
A vitória também mantém tabus. Como mandante, o Santos não perde para o Fluminense há sete jogos (ou quase oito anos), com cinco vitórias do Peixe e dois empates, todos pelo Brasileirão. A última vitória do Fluminense como visitante foi por 1 a 0, no Brasileirão de 2014.
— Talvez a competição. Não que não tenhamos competido, mas o Santos veio para o jogo da vida dele. Fizeram um grande jogo e nós não conseguimos entrar no mesmo ritmo. Com 2 a 0, foi um placar difícil de reverter. É ter cabeça no lugar, fazemos um bom Brasileiro — afirmou Luccas Claro.
O Peixe também encerra a seca: venceu apenas um dos últimos sete jogos que fez em casa no Brasileirão e, até então, conseguiu somente seis pontos dos 21 possíveis. Agora esse número aumentou. Algo que será importante na luta contra o rebaixamento.
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Postado em 2021-10-27 21:04:00
O post Análise: derrota para Santos mostra que Fluminense não pode ter intensidade e atenção apenas em Fla-Flus apareceu primeiro em Noticias, Dicas e Atualidades.
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